Guerra santa?
WALDIMIR GIORGI
de Ribeirão Preto, SP
O uso da palavra ''guerra'', já invalida qualquer qualidade santificante que possa ser reivindicada por aqueles que a praticam.
Folheando livros de história, tem-se contato com o quão comum tem sido, através dos séculos, ocorrerem guerras, perseguições, extermínios a povos e países.
Muitas delas em nome de Deus.
Desde os sacrifícios humanos nas antigas civilizações politeístas até os dia atuais, percebe-se a envolver o nome de Deus, como aval para tanta violência, os sentimentos mais baixos em que imperam as paixões na ânsia de poder, riqueza e glória.
Que valor perante Deus, pode haver em submeter determinada sociedade à crenças, princípios morais, costumes, educação, etc., utilizando-se da força ?
Decerto nenhuma, pois é próprio do espírito, pelo desejo de ser livre, não conviver com estas imposições, que tem como modo de persuasão a violência e a brutalidade. Assim que as oportunidades surjam, os vencidos aproveitam para expulsar aqueles que os espoliaram, usando por vezes força e violência igual ou até maior que as sofridas, em atos vis e degradantes.
O possível progresso trazido a esta sociedade subjugada, que naquele momento era mais simples e menos desenvolvida em relação a seu agressor, a imposição na força, contraria a lei divina do amar a seu próximo como a si mesmo, forja atitudes externas onde o medo e a revolta ditam procedimentos falsos e irreais.
Tendo-se o princípio do Amor como premissa, como alicerce para bons relacionamentos e convivência, a persuasão com bondade e doçura no exemplo, respeito e sinceridade, deverá vigorar constantemente. Somente assim, a doutrina trazida por Jesus poderá ser entendida, absorvida e vivida, desde os relacionamentos menores no lar e nos grupos, até os maiores, entre países e povos.
Deus dá quantas oportunidades forem necessárias para as renovações pessoais, para que num futuro próximo ou distante, dependendo de cada indivíduo, proceda-se a renovação moral. Cabe a cada um a iniciativa de buscarmos o progresso espiritual, através da luta diária e incessante.
O que se verifica com o indivíduo, estende-se para a sociedade e por conseguinte, de maneira geral aos povos. No tempo em que este entendimento for sendo alcançado, decerto não mais se terá notícias tão freqüentes de atrocidades e demais violências.
Num futuro, os livros de história trarão em suas páginas fatos em que o entendimento entre os povos se processou, advindo com isso o progresso e a paz, frutos das trocas, intercâmbio, colaborações recíprocas e harmônicas no prazer, na felicidade de perceber e sentir que os outros crescem, estão bem e caminham ao Pai, oferecendo por sua vez o melhor de si a outros que tenham menos, sem domínio ou imposições.
Bibliografia:
KARDEC, Allan - O Livro dos Espíritos - q. 671
XAVIER, Francisco C./Emmanuel - Vinha de Luz - lição 21
FRANCO, Divaldo P./Joanna de Ângelis - Após a tempestade - lição 19